Ilha de Florianópolis: aqui todo mundo se diverte

A ribeirão da Ilha com as belas praias de Florianópolis

Considerada capital turística do Mercosul, a ilha de Florianópolis já ocupa a sexta posição entre as cidades mais visitadas do Brasil, de acordo com o último relatório da EMBRATUR. E por conta de suas belezas naturais, herança cultural e opções de lazer para todos os gostos e bolsos, vem também se afirmando como um dos melhores destinos de férias do mundo.

A história de Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, confunde-se com a história da ocupação e povoamento do território brasileiro. Depois de algumas tentativas fracassadas, a colonização efetiva da ilha de Santa Catarina aconteceu em 1748. Chegam, então, os primeiros imigrantes da Ilha dos Açores, a maioria pescadores e agricultores, trazendo consigo não só o desejo de uma vida mais digna, mas também suas tradições culturais e religiosas, superstições e crendices. Bruxas-vampiras, feiticeiras, lobisomens e boitatás – todos esses seres encantados povoavam o imaginário daqueles primeiros colonos açorianos; seus descendentes, ainda hoje, podem jurar de pés juntos que todos eles de fato existem e nos advertem a tomar cuidado.

O fato é que todos estes personagens já fazem parte da mitologia do povo catarinense. E foi por conta deste universo paralelo – de bruxas poderosas e lobisomens em noite de lua cheia – que a ilha de Florianópolis ou, como alguns preferem, ‘Floripa’, acabou recebendo a alcunha de ‘Ilha da Magia’. Entretanto, a magia ilhoa foi além de todas estas lendas de origem celta trazidas do ‘Velho Continente’; passou também a exprimir a beleza das construções centenárias de influência portuguesa, das suas praias verde-azuladas e as paisagens deslumbrantes, que incluem baías, enseadas, lagoas, costões e algumas pequenas ilhas. O lugar é, definitivamente, mágico e capaz de encantar a todos que o visitam.

Florianópolis conta com uma parte insular (ilha) e outra continental. Foi em 1927, com a construção da ponte pênsil Hercílo Luz, que a parte continental foi incorporada à ilha; a partir de então, as pessoas já não precisavam depender de barcos para fazer a travessia.

Até 1975, a ponte Hercílo Luz consistiu na única via de acesso entre a ilha de Florianópolis e o continente. Por medida de segurança, a ponte foi fechada ao acesso de veículos em 1982. Tombada como patrimônio histórico e artístico pelo IPHAN, tornou-se um dos principais cartões postais da cidade de Florianópolis. Atualmente, são duas as pontes que ligam a ilha à parte continental. Uma delas, é a ponte Colombo Salles, no sentido continente, e a ponte Pedro Ivo Campos, através da qual chega-se à ilha.

Para o turista que vem de carro, o centro será a primeira região avistada. Com ares de cidade grande e muito movimentada, é aqui que se concentra a maior parte do comércio e prédios históricos. Algumas das principais atrações seriam a Catedral Metropolitana, que dispõe de um acervo de arte sacra; a Praça XV de Novembro, a partir de onde, mais de 200 anos atrás, a cidade começou a expandir-se; o Palácio Cruz e Sousa, antigo Palácio do Governo e atual Museu Histórico de Santa Catarina e, finalmente, o Mercado Público Municipal, de finais do século XIX, que é tanto ponto de encontro de políticos, intelectuais, boêmios, artistas, nativos e turistas, como também palco de manifestações populares, como do famoso boi-de-mamão, e da cantoria de músicos locais. Querendo fazer umas comprinhas, saiba que o centro dispõe de um diversificado comércio. Cansou e está com fome? O que não falta são lanchonetes, bistrôs e restaurantes para todos os paladares. E para quem estiver atrás de diversão noturna, pode optar entre os milhares de bares e choperias e as casas noturnas de estilos e públicos diversos.

O centro da capital corresponde à região Oeste da ilha. Para quem deseja seguir para as praias, isto é, para as regiões Norte, Sul ou Leste, a principal via de acesso é a Avenida Beira-Mar Norte. O cenário no entorno desta avenida é fantástico – de um lado contorna toda a baía norte e, do outro, é margeada por prédios luxuosos, hotéis, bares e restaurantes. Vale à pena uma parada para tirar umas fotos nos trapiches da beira-mar. Pena que neste local o mar é impróprio para banho, devido a poluição das águas. É bonito só pra olhar e fotografar. Aliás, algumas praias na ilha sofrem do mesmo ‘mal’. Por isso, antes de aventurar-se nas praias, trate de consultar o relatório de balneabilidade (praias próprias ou impróprias para banho).

Ao percorrer a Avenida Beira-Mar, fique de olho nas placas, que indicarão que rumo tomar para se chegar às regiões Norte, Sul e Leste da ilha. A propósito, são estas as regiões que oferecem, além das praias, as melhores opções de turismo de aventura e esportes radicaistrilhas em meio à Mata Atlântica; cavalgadas em noites de lua cheia no Rio Vermelho; aulas de surf nas praias dos Ingleses e praia da Joaquina; mergulhos em ilhotas satélites de Floripa, como a ilha do Arvoredo, ilha das Aranhas e ilha do Xavier; o arvorismo nos arredores da praia do Santinho; o voo livre a partir da rampa do morro da Lagoa da Conceição e do Costão Norte da praia Mole; dentre muitos outros.

As praias

Um dos principais slogans da ilha são as suas 42 praias de beleza ímpar. A novidade é que, no último levantamento completo encomendado por um órgão da prefeitura da capital catarinense, foram mapeadas e catalogadas mais de 100 praias. Apesar de reconhecidas pela população local, algumas sequer possuem um nome.

Em se tratando das 42 praias conhecidas do público em geral, suas características variam de acordo com a região da ilha em que se encontram.

As praias do norte são as mais urbanizadas e oferecem uma completa infraestrutura com hotéis, pousadas, resturantes, bares, casas noturnas e um diversificado comércio. Portanto, são ideais para aqueles que querem curtir uma praia, sem abrir mão dos confortos urbanos. Além do mais, é perfeito para famílias com crianças – nesta região, com exceção das praias dos Ingleses e do Santinho, predomina o mar manso.

E para os que gostam de história e arqueologia, não deixem de visitar as três fortalezas no norte ilhéu e o Museu Arqueológico ao Ar Livre. As fortalezas foram contruídas pelos portugueses, no século XVIII, quando o sul do Brasil era objeto de disputa entre Portugal e Espanha. Nessa época, a ilha de Florianópolis era uma importante escala de abastecimento e reparo de embarcações que navegavam pela costa brasileira rumo à Bacia do Prata. Hoje, graças ao ‘Projeto Fortalezas da Ilha’ de SC, estas fortificações foram restauradas e abertas à visitação durante todo o ano. A Fortaleza de São José da Ponta Grossa (1740), está localizada na ilha, na praia do Forte; a de Santa Cruz de Anhatomirim (1739), na pequena ilha de Anhatomirim; e a de Santo Antônio de Ratones (1740), na ilha de Ratones Grande. E na praia do Santinho, você poderá visitar o Museu Arqueológico ao Ar Livre, que conta com um verdadeiro patrimônio histórico – inscrições rupestres milenares. Estes são os registros mais antigos de uma civilização pré-histórica, conhecida como Homem do Sambaqui, que habitou o território catarinense há pelo menos 5.000 anos atrás.

Já nas regiões Sul e Leste, se comparadas com as praias do norte, são menos estruturadas, as praias são mais vazias e o mar é bravo. No leste, o centrinho da Lagoa da Conceição, seguido da Avenida das Rendeiras e seus arredores, é onde se encontra o maior número de restaurantes especializados em frutos do mar, bares e casas noturnas da região. Também é aí que o turista terá a oportunidade de conhecer as famosas mulheres rendeiras, em plena ação, confeccionando a mundialmente famosa renda de bilro. As dunas, que começam na Lagoa e se estendem até a praia da Joaquina, são perfeitas para a prática do sandboard (surf na areia). E por falar em praia da Joaquina,  além de santuário dos surfistas, também é famosa por sediar campeonatos de surf nacionais e internacionais. Outra atração imperdível é a Costa da Lagoa, onde só é possível chegar de barco ou por meio de uma trilha, em meio à Mata Atlântica, com saída a partir do Canto dos Araçás. Considerado um  dos últimos redutos da cultura açoriana, a comunidade de pescadores e rendeiras da Costa ainda vivem como os seus antepassados açorianos.

Mas é no sul ilhéu que encontramos a maior parte das vilas e lugarejos onde o tempo praticamente parou, e as praias são pouquíssimo frequentadas. Isso se dá pelo fato de serem locais de mais difícil acesso. Nas praias de Naufragados e Lagoinha do leste, por exemplo, o único acesso é por meio de trilhas. Nestas praias, ainda preservadas da ação do homem, o turista encontrará, além da exuberante mata nativa, mangues e lagoas nos arredores.

Turismo de Luxo

Em 2009, Florianópolis figurou na 24º posição, na lista anual do The New York Times, como um dos 44 destinos mais ‘quentes’ do mundo. Com os holofotes internacionais apontados em sua direção, Floripa acaba por desbancar Punta del Leste, no Uruguai, como o balneário sul-americano preferido do jet set internacional. O cenário escolhido para a reunião destes jet setters é Jurerê Internacional, no norte da ilha catarinense, que acaba por concentrar o maior número de milionários e celebridades por metro quadrado.

Considerada a Beverly Hills tropical, o bairro é repleto de mansões cinematográficas, hotéis cinco estrelas, restaurantes sofisticados e heliportos. Durante o ano todo, o local exibe um ambiente completamente familiar. Mas no verão, Jurerê vira um centro de badalação dos mais concorridos. Durante a temporada, tudo o que se vê são carros importados circulando nas avenidas, helicópteros pousando, mulheres desfilando seus bronzeados e modelitos de grife e uma praia lotada de gente bonita bebendo champanhe à beira do mar.

Foto das Pontes Pedro Ivo Campos e Colombo Sales que ligam o continente a Ilha de Santa Catarina em Florianópolis.

No Jurerê Open Shopping, que é um roteiro de atrações a céu aberto em toda a extensão do bairro de Jurerê Internacional, encontra-se, dentre outros, a Orla Gastronômica (os Beach Clubs), com bares e restaurantes à beira mar, que fervem até altas horas da madrugada; as Plataformas 1 e 2 (o ‘calçadão’), com suas praças de alimentação e lojas de grife, e as Casas Noturnas, com badalações de alto calibre e atrações internacionais. Mas caso você não seja uma celebridade ou um milionário, não tem problema. Ainda assim você pode visitar o local e tomar um banho de mar. Apesar dos preços proibitivos da maioria dos restaurantes, na praça da alimentação você encontrará pratos bastante acessíveis ao seu bolso.

O verão é sempre uma ótima época para se divertir em Floripa. Mas para quem está com o orçamento meio apertado, o melhor mesmo é tentar tirar férias entre o mês de novembro e o feriado de natal – nesta época as temperaturas já estão elevadas, as praias não estão tão lotadas e, o que é melhor, os preços de hotéis e pousadas ainda são os de baixa temporada.

E, ao contrário do que se pensa, a ilha de Floripa é bastante grande – de uma ponta a outra são quase 100 Km. Então, para aqueles que acham possível conhecer várias praias num só dia, acaba se frustrando e até perdendo a paciência. Além das distâncias entre uma e outra, também tem a questão do tráfego – durante o verão, a população praticamente dobra e os congestionamentos nas rodovias de acesso às praias são inevitáveis. Então, melhor conhecer bem algumas praias, curtindo-as com tranquilidade, do que passar duas ou três horas preso no trânsito na ilusão de poder conhecer todas. Também é bom evitar os horários de pico. Saia de manhã bem cedo, no máximo até 9h, e tente voltar antes das 16:00h. De resto, é só relaxar e curtir a Ilha da Magia.

Como chegar

Para quem chega de avião, no Aeroporto Internacional Hercílio Luz estão disponíveis serviços de táxi, locadoras de automóveis e pontos de embarque para ônibus urbanos e executivos. Para os que optam pelo ônibus de transporte rodoviário, desembarcará no terminal Rita Maria, que também dispõe de locadoras de carros, serviços de táxi e o Terminal de Integração (transporte coletivo urbano) fica a apenas 150 metros da rodoviária. E, finalmente, para os que vierem de carro, o acesso à ilha de Florianópolis fica no quilômetro 206 da rodovia BR 101, no município de São José. Logo em seguida, você pegará a Via Expressa (continuação da BR 282), que termina na ponte Pedro Ivo Campos (liga o continente à ilha).

Pouco antes da entrada da ponte Pedro Ivo Campos, você verá o Portal Turístico, que atende e orienta os turistas, e onde os ônibus e vans de turismo tem parada obrigatória a fim obter o selo de circulação na cidade. Para entrar em contato com o Portal Turístico, ligue para (48) 3271 7028 ou (48) 3271 7014. O horário de funcionamento é das 08:00 às 20:00h. Para maiores detalhes, também acesse o site da SANTUR (Santa Catarina Turismo).

Foto: Marco Nunes no Flickr
Foto 2: JMAugustin na Wikimedia Commons

Autor: Miriam Waltrick

Blogger na rede The Diktyo SL.Jornalista Freelance e Escritora.Curso Sequencial de Marketing pela Universidade do Sul de Santa Catarina.Curso de Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina.Formada em História pela Universidade Federal de Santa Catarina.

9 pensamentos em “Ilha de Florianópolis: aqui todo mundo se diverte”

  1. Este artigo é muito extensa e completa e este Verão vamos visitar a ilha de Florianópolis explicar que o que é maravilhoso. Muito obrigado Mirima pel seu conselhio.

    1. Olá Martin, e tenho certeza de que você aproveitará bastante suas férias de verão na bela ilha de Floripa. Fico feliz em ter conseguido mostrar estas belezas e dado alguns conselhos que lhe serão úteis.

      Boa viagem!

      Miriam Waltrick

    1. Oi Guilherme, tenho que concordar contigo: Floripa realmente é um excelente destino de férias, principalmente por conta das praias. Valeu pela visita e espero que volte sempre!

  2. Execelente explanação e dicas sobre a Ilha de Florianapolis que pretendo visitar…..sabe que nem tinha tanto interesse mas com o teu texto me despertou a vontade de conhecer a ilha e cidades!!! Parabéns!! Trabalho sério e de fácil entendimento!!

  3. Olá Glória, obrigada pela visita e fico feliz que tenhas gostado! Quem sabe se Floripa não será seu próximo destino de férias? 😉 Abraços!!!

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