Estatísticas do turismo brasileiro

Turismo no Brasil

O setor turístico brasileiro cresce significativamente e alavanca a economia do país. A participação deste setor no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é de 3,6% (aproximadamente R$ 132 bilhões). De acordo com o artigo “Para onde viajam os brasileiros”, de Janeiro/2012, é possível citar alguns dados que embasam “a expansão do mercado consumidor de turismo, que aumentou 16% no país. O número de brasileiros que viajam saltou de 43 para 50 milhões de 2007 para 2010. A principal responsável pelo incremento foi a nova classe média. O número de viagens também cresceu: passou de 156 milhões, em 2007, para 186,5 milhões, em 2010”.

Esses dados não revelam apenas que os brasileiros adoram viajar, mas também, que na atual conjuntura tal fato tornou-se mais acessível. Com a valorização do real perante a fortes moedas estrangeiras, como o dólar e o euro, o brasileiro pôde viabilizar o tão esperado sonho de sair do país. Dados do Banco Central do Brasil revelam que os gastos dos brasileiros no exterior tiveram um aumento de 40%. O país conta agora com uma economia mais estável e, não podemos deixar de mencionar que, os brasileiros recebem uma renda maior do que recebiam tempos atrás, facilitando assim o pagamento e/ou financiamento de suas viagens, principalmente para fora do Brasil. São mais pessoas que querem passar férias com a família, mais casais em busca da perfeita lua de mel, mais pessoas querendo fazer compras, conhecer culturas e idiomas diferentes, participar de um evento, assistir um show de uma banda famosa, mais executivos buscando negócios no exterior, enfim, motivados por razões distintas, o fato é que os brasileiros estão viajando mais.

Como prova de que os brasileiros estão saindo mais do país está o fato de que o número de contratações de seguro viagem aumentou. Este é o seguro obrigatório para quem pretende viajar para algum dos países que fazem parte do Tratado de Schengen. São eles: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Itália, Islândia, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal e Suécia. Uma vez contratado, o assegurado conta, no geral, com assistência médica em caso de acidente ou enfermidade, cobertura de gastos com serviços odontológicos e medicamentos, em caso de perda ou extravio de bagagem o seguro oferece indenização superior a da companhia aérea, auxílio em caso de perda de documentos, identificação de bagagens, instruções em problemas jurídicos e muitos outros benefícios. Naturalmente, os valores correspondentes a cada um destes serviços varia de acordo com a modalidade de seguro e apólice contratados e a seguradora escolhida. Muitas vezes, o seguro já vem incluso no pacote turístico. Caso contrário, o turista pode buscá-lo diretamente através de corretoras de seguro ou por meio das próprias agências de viagem. Não podemos esquecer ainda que atualmente as empresas de cartão de crédito oferecem essa vantagem aos portadores do cartão internacional.

Segundo o artigo “Brasileiros estão viajando mais para o exterior, mesmo fora de temporada”, de Junho/2011, a corretora de seguros “Kor Corretora” identificou um aumento de 37% no mercado de seguro-viagens nos primeiros quatro meses de 2011. O crescimento foi constatado também em meses atípicos, como março, abril e maio, em que a corretora verificou um aumento de 50% no número de contratações de seguro. Como as viagens estão mais acessíveis, os brasileiros fogem da alta temporada e aproveitam a oportunidade de pagar menos. Ainda de acordo com este artigo, 90% do total de contratações de seguro viagem são de países que fazem parte do Tratado. Isso revela que as preferências do brasileiro na hora de viajar estão mudando. Se antes o destino mais escolhido era os Estados Unidos, agora são os países europeus. Dentre eles, os mais procurados na hora de contratar o seguro são Espanha, França e Inglaterra.

O aumento das contratações de seguro viagem revela ainda uma mudança no perfil dos turistas brasileiros. Agora, eles estão mais conscientizados dos benefícios totais do seguro, e não apenas encarando-o como um custo adicional na viagem. Mostram-se mais preocupados com os gastos com saúde e segurança que teriam no caso de não contarem com um plano de assistência. A maior conscientização dos brasileiros relacionada à importância desta modalidade de seguro foi tanta, que muitos inclusive não se restringem a contratar somente quando há obrigatoriedade por parte do país de destino. Hoje em dia, visando precaver-se de eventuais problemas durante o curso da viagem, o turista brasileiro opta por fazer o seguro mesmo quando o destino não o obriga a tê-lo.

Embora as facilidades para viajar para fora do Brasil tenham de fato aumentado, nos últimos três anos foi o turismo doméstico que ganhou força e representatividade na economia brasileira. De acordo com o Departamento de Estudos e Pesquisas (Depes) do Ministério do Turismo “para cada dez brasileiros que fazem viagens domésticas, apenas um viaja para o exterior. Entre os que viajam para outros países, 70% também fazem viagens nacionais”. Do custo total de uma viagem internacional, aproximadamente 30% do valor fica no Brasil, beneficiando agências e operadoras de viagem, corretoras de seguro e empresas brasileiras de transporte aéreo. Certamente, este é um mercado que alavanca a economia do país e que tem um enorme potencial de crescimento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), “para cada 100 empregos criados na hotelaria, outros 26 são criados na indústria, e a cada R$ 100 faturados pelo setor hoteleiro, outros R$ 76 são injetados na indústria brasileira”.

O Ministro do Turismo, Gastão Vieira cita: “a saudável competição de preços entre as empresas aéreas, a incorporação de consumidores à classe C, aliados ao crescimento da renda, crédito e emprego no Brasil, resultam em um crescimento efetivo das viagens turísticas, especialmente para dentro do Brasil”. Na atualidade, o turismo doméstico representa 85% do turismo brasileiro total e a expectativa para este ano de 2012 é que “tenha crescimento moderado, em razão da delicada conjuntura macroeconômica internacional”, segundo o diretor do Depes/MTur, José Francisco Salles Lopes.

Autor: Jacqueline Michelleto

Profissional da área de Corporate Finance com experiência internacional.Mestre em Business Intelligence pelo INSA Business School – Barcelona / Espanha.Administradora de empresas

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